18 de fevereiro de 2017

O Réu e O Rei (Paulo Cesar de Araújo) - Resenha


Resolvi por um dia voltar às minhas leituras de livraria. Cheguei na Cultura pela ribeira do Capibaribe para vasculhar qual livro leria por lá. Minhas leituras lá consistem em obras de grande venda que dificilmente comprarei para mim. Abri muitas obras até chegar a pôr meus olhos na mais recente de Paulo César de Araújo.

Por três idas a tal livraria li quase toda. Só ficou metade do capítulo final. Pretendo, se com dinheiro, comprá-la para meu pai de presente. Talvez de parabéns. Ou de dia dos pais. E por qual motivo? Meu pai, por hoje fã de Raul Seixas, já foi fã de Roberto Carlos. Todos os dezembros de festança natalina lá vinha painho com mais um disco do rei...


Também assim peguei gosto por ouvir as canções de Roberto. Mas por incrível que pareça não são as da década de noventa minhas preferidas. Paulo César, nas páginas d’ O Réu e o Rei, demonstra bem que no momento que conheci Roberto Carlos suas músicas já nãoeram tão boas que nem antes. Também... Pudera! Com intuição percebi tanto de quanto foi demonstrado por Araújo no livro.


Bem escrevi. Similar entre si portanto não são intuição com demonstraçãoO cara fez estudos sérios (Infelizmente tenho de dar qualificaçãoaos estudos com adjetivo pois igualmente de brincar e sem mais há) sobre Roberto. Sua propriedade portanto para declarar a queda de criatividade do cantor é certamente mil vezes maior da de quem escreve tais linhas.

Esta propriedade, contudo, foi negada pelo próprio Roberto Carlos. Não foi, porém, sobre críticas ao seu cancioneiro mas sobre tratar de sua biografia. Sem razãoO rebuliço do primeiro livro de Paulo César sobre Roberto Carlos, com o título Roberto Carlos em Detalhes, antes de ler O Réu e o Rei não desconhecia. Mas em época dos acontecidos eu não tinha computador e conseqüentemente nem rede mundial de computadores. Portanto jamais eu saberia dos fatos.

Observação: a mídia não noticia fatos. Ou melhor digo citando, quem aqui já foi citado, Raul Seixas: “Eu não preciso ler jornais: mentir sozinho sou capaz”.


A Roberto voltando... Por qual motivo Paulo César estava montado na razão? Ora: tratar da vida de quem quer que seja por quem quer que seja, narrando fatos e não boatos, vem a ser algo tão normal que deveria ser postulado como regra geral consuetudinária. Conseqüentemente deveria pois estar implícita nas cabecinhas humanas assim não ocas mas de boa vontade... Não?


Toda discussão acerca de preservar intimidade não procede. Quando me relaciono com outras pessoas minha biografia não é só minha mas igualmente das outras pessoas com que me relacionei. Tão óbvio, minha santa Virgem de Cimbres! Quando for eu contar a minha biografia também algo da delas contarei: sem contar, inclusive, surpreendentemente, vice-versa.


Nossa: que novidade! Desde Jesus Cristo com sua boa nova não havia tamanha!

Quem faz cordéis ou canta na viola se lascaria com força se Maria de Cobranças Indevidas ou José de Mágoa Fácil ficassem que nem Aquiles irado por terem seus nomes em versos ditos ou cantados e se considerassem assim no direito de tomar parte dos trocados recebidos normal e devidamente por quem faz cordel ou canta na viola. Pior até: Mariinha mais Zé proibirem de cantar suas vidas em boca de gente poetisa!

Roberto Carlos quer proteger baleias mas combater, se possível fosse, Clio! Mas que diabras ele tem na mente? Miolos? Incrível. Para quem entende nada do que digo por este parágrafo recomendo ler o livro Cangaceiros de José Lins do Rego: recomendação inclusive na verdade não minha mas do professor Olavo de Carvalho. Ler tal livro mais com conhecimento do motivo da recomendação de leitura do bom e velho Carvalho poupará meu trabalho de dar explicações minuciosas acerca de Clio.

Clio que Paulo César conhece bem.

Mais: vamos depender agora dos governos estatais para regrar as nossas vidas que nem o povo muçulmano sob regras maometanas? Ou pior pois prefiro Maomé que tucanos e lulas. Mas não! Temos de ter mais uma lei constitucional para dizer aquilo que fazer em caso de... Cadê paciência? Cadê bom senso?


Nenhum e nenhuma por exemplo são visíveis na descrição que Paulo César faz do julgamento de seu livro: sem paciência para se conseguirem as melhores decisões e sem bom senso para lidar com a situação assim. No final Paulo de Araújo se lasca bonito. Quem editorialmente publica logo quis tirar o seu da reta... Foi no de quem? Adivinhem! Quem acusa quer tirar o máximo de vantagem... Quem julga quer encerrar com o mínimo comprometimento possível com aquilo que vai sendo julgado... Sacanagem das grossas enfim! Ê Brasil!... E para reverter agora tal lambança fica difícil para dedéu.



Bem... Eis o título do livro! Também: eis a batalha de Paulo César! Mais uma batalha de Clio: batalha portanto também nossa.



4 de 5 (Muito Bom)
e-mail: sergio@leialiteratura.com

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