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11 de novembro de 2013

Investimentos Inteligentes (Gustavo Cerbasi) - Primeiras Impressões

Quando se escuta o termo autoajuda muitos já pensam (normalmente com razão) que trata-se de uma obra superficial com qualidade questionável. Investimentos Inteligentes felizmente acaba sendo uma exceção positiva.

Gustavo Cerbasi consegue fornecer dicas bem úteis, apesar de muito simples, para ajudar aqueles que pretendem realizar investimentos mas que conhecem pouco (ou mesmo quase nada) sobre o assunto. 

O maior destaque do livro é o estilo de escrita acessível permitindo que vários públicos conheçam aspectos importantes do "como investir bem"; entretanto sem apelar para simplificações grosseiras.

É fato que algumas vezes o texto (leia também clicando aqui) versa com a ideia superficial do "querer e conseguir", mas nada exagerado pois o foco fica mesmo nos conceitos objetivos. 

Investimentos Inteligentes acaba então passando uma impressão inicial positiva justamente pela consciência de suas limitações e pela eficácia de por em prática a proposta: dar dicas conscientes de investimento.


Recomendo Para Quem:

- Quer conhecer dicas básicas de investimento

Editora: Sextante
Páginas: 256

27 de setembro de 2013

Cidades de Papel (John Green) - Primeiras Impressões

Literatura popular de qualidade não é algo tão comum hoje em dia, sobretudo considerando que boa parte dos futuros best-sellers são feitos para agradar, prioritariamente, um público que não tem o hábito de ler. Surge assim o desafio de cativar novos leitores evitando "a síndrome novela": ser popular sem se tornar pueril e superficial. 

John Green aparentemente consegue contornar esta "dificuldade" com um estilo muito simples de escrita que não trata o consumidor como idiota. 

No trecho inicial de Cidades de Papel (leia também clicando aqui) o autor narra de forma divertida e competente o cotidiano do protagonista com seus amigos e contemplando sua amada. Nada demais, mas é interessante.

Diariamente entramos em contato com diversas produções artísticas que pretendem retratar a vida normal, porém a maioria delas são constituídas de clichês e artificialidades superficiais. Cidades de Papel tem o mesmo objetivo, entretanto se destaca em seu início justamente por não seguir tais modelos. 

Assim, o livro impressiona simplesmente por ter qualidade e identidade própria; duas características raras em boa parte dos best-sellers juvenis atuais. 



Recomendo Para Quem:

- Gosta de romances juvenis
- Quer um livro simples e bem-humorado
- Não tem o hábito de leitura mas gosta de histórias românticas

Editora: Intrínseca
Páginas: 368




3 de setembro de 2013

Louco Por Viver (Roberto Shinyashiki ) - Primeiras Impressões

Autor de vários best-sellers nacionais de autoajuda, Roberto Shinyashiki repete sua fórmula em Louco Por Viver. A obra é realmente é um típico exemplar do seu gênero misturando lições de vida superficiais e muito discurso motivacional. 

A pretensão do livro é a mais batida possível: ser um estímulo para que o leitor aproveite mais a vida. Nesse sentido, o trecho inicial (leia também clicando aqui) é uma metralhadora de mensagens para arriscar mais, fazer mais amigos, tentar realizar os seus sonhos....

Mesmo com tal proposta pouquíssimo original aliada a uma execução ainda menos criativa, o título pode funcionar para quem precisa ouvir (ou ler nesse caso) uma opinião de apoio e incentivo. 

A qualidade do livro acaba sendo a escrita de Shinyashiki que, apesar de não ser brilhante, cumpre o papel de falar com simplicidade e objetividade; requisitos necessários para alcançar o amplo público-alvo. 

Idêntico a qualquer outro livro de autoajuda, Louco por Viver é uma obra dispensável no todo mas que pode ser útil para alguns. 


Recomendo Para Quem:

- Acredita que a autoajuda pode ser útil
- Já leu outro livo do gênero e gostou

Editora: Gente
Páginas: 184

27 de agosto de 2013

Porta dos Fundos (Livro de Roteiros) - Primeiras Impressões

Uma coleção de diálogos brevemente comentados e ricamente ilustrados por imagens; esse é o livro do grupo humorístico de maior sucesso na internet brasileira. 

O trecho disponibilizado de forma gratuita pela editora Sextante (leia também clicando aqui) permite uma visão clara do formato da publicação. Cada capítulo acompanha fotos, um comentário rápido do roteirista e o próprio roteiro transcrito. 

Desta forma, o livro tende a agradar apenas aos grandes fãs do grupo já que não possui conteúdos exclusivos que valham a compra para qualquer público. 

Porta dos Fundos acaba sendo uma grande homenagem e funciona justamente com essa finalidade para os seus maiores admiradores.


Recomendo Para Quem:

- É grande fã do grupo Porta dos Fundos

Editora: Sextante
Páginas: 240

16 de julho de 2013

Bling Ring: A Gangue de Hollywood (Nancy Jo Sales) - Primeiras Impressões

Obras inspiradas em histórias reais já possuem um apelo natural e se escritos a partir de dados jornalísticos a credibilidade só aumenta. Esse é o caso de Bling Ring que surgiu como matéria da revista Vanity Fair, tornou-se filme pelas mãos da elogiada cineasta Sofia Coppola e agora tem livro assinada pela mesma autora da reportagem que deu início a tudo.

As primeiras impressões do trecho inicial que compreende apenas prefácio e primeiro capítulo (leia também clicando aqui) são justamente de uma escrita descritiva mas bem montada; típica de textos jornalísticos. Entretanto, a autora faz questão de deixar bem claro que a sua obra é um relato orientado, buscando extrair dos fatos certas reflexões sociais.

O livro conta a história de uma gangue de jovens que assalta famosos de Hollywood sem maiores escrúpulos e ignorando a criminalidade desse ato. Tal episódio é utilizado dentro da narrativa para analisar a estranha e deturpada percepção do que significa ser famoso na atualidade. 

É bom ressaltar, no entanto, que toda reflexão não se sobrepõe às descrições factuais que são sim o foco principal da obra. Assim é possível manter-se lendo pela história, mesmo discordando da posição apresentada pela escritora.

No final a impressão que fica do livro é positiva em sua apresentação carregada do estilo jornalístico da autora. É verdade que os fatos são conduzidos segundo a intenção de traçar uma ideia, porém é uma teoria razoável e que não chega a distorcer os fatos; ao menos nessas páginas iniciais.



Recomendo Para Quem:

- Gostou do filme
- Se interessou pela história e quer se aprofundar



Editora: Intrínseca
Páginas: 272



31 de maio de 2013

Inferno (Dan Brown) - Primeiras Impressões

Dan Brown é um escritor de fórmulas, aliás de uma só fórmula para ser mais exato. Portanto quem leu um livro que seja do autor, trazendo Robert Langdon como protagonista, saberá de antemão o que pode ser encontrado nos demais. As diferenças costumam ser o país onde a obra se passa, a companheira do simbologista na aventura e o mistério de inacreditáveis proporções que será desvelado. 

O trecho inicial de Inferno (leia também clicando aqui) demonstra que que Brown leva em consideração aquela velha máxima futebolística: "em time que está ganhando não se mexe". A narrativa sugere rapidamente que o foco será mais uma conspiração escondida em obra de autor clássico; o escolhido da vez foi o nosso querido Dante Alighieri. 

Em poucas páginas entendemos que o escritor estadunidense dará uma nova e tresloucada interpretação para o livro A Divina Comédia e, aparentemente, o Inferno lá apresentado não será mais o refúgio do tinhoso e dos pecadores em eterna punição. 

No mais, as páginas são quase um bingo que você pode preencher com vários componentes da fórmula "Dan Brown" de escrever histórias, incluindo até o seu obrigatório gancho de final de capítulo. Quem achou as aventuras anteriores de Robert Langdon divertidas, apesar do estilo raso e limitadamente descritivo, deve gostar dessa também. 



Recomendo para quem:

-Quer apenas uma literatura de entretenimento 
-Gosta de mistérios mirabolantes em quase qualquer contexto
-Gosta de novelas mas acha que elas poderiam apresentar tramas com temáticas mais intrigantes
-Já gostou de outro livro com o personagem Robert Langdon e não se incomoda com grandes similaridades de narrativa.


22 de março de 2013

Uma Prova do Céu (Dr. Eben Alexander III) - Primeiras Impressões

Experiências de quase morte não são raridade, mas ganham um contorno especial quando relatadas e confirmadas por um médico com algum renome. Essa é a proposta comercial de Uma Prova do Céu (Editora Sextante, 192 páginas) assinada pelo Dr. Eben Alexander III.

Ao ler o trecho inicial da obra (confira também clicando aqui) já fica muito claro que o autor será bem fático em defender a existência de um Paraíso e de um Deus que olha por nós. Para tanto, ele usa sua própria experiência de estar à beira da morte como prova cabal da existência de um espírito e por tabela de uma vida para além desta. 

A proposta de Eben é obviamente polêmica e muito contestável, mas os capítulos iniciais não chegam a entrar nos argumentos. Talvez por isso a minha impressão tenha sido inesperadamente boa.

Fique claro que costumo iniciar a leitura de livros "esotéricos" com expectativas baixas e, nesse sentido, Uma Prova do Céu me surpreendeu; principalmente pelo estilo simples e eficiente utilizado pelo escritor. 

A obra conquista nas primeiras páginas pela escrita boa e extremamente acessível. O resultado é uma leitura fácil, mas que não chega nem perto de ser idiota (um abraço para 50 Tons de Cinza). Resta saber se na hora de descrever suas experiências de quase morte (e de justificar a existência do Céu) o autor não põe tudo isso a perder. 

Uma Prova do Céu é assim um livro que traz uma primeira impressão positiva, principalmente considerando sua pretensão controversa. 



Recomendo Para Quem:

- Acredita em vida após a morte
- Tem curiosidade sobre o assunto acima e quer conferir a opinião de um profissional que, ao que tudo indica, entende de morte cerebral



15 de fevereiro de 2013

Crianças Francesas Não Fazem Manha (Pamela Druckerman) - Primeiras Impressões

Livros tontos sobre assuntos do cotidiano costumam frequentar com tanta recorrência as listas de mais vendidos que é sempre uma surpresa muito agradável quando nos deparamos com algum que foge a esta regra. 

Crianças Francesas Não Fazem Manha é felizmente um exemplo desse tipo de exceção pelo que podemos notar do trecho inicial (leia também clicando aqui). O relato pessoal, irônico e inteligente da autora é objetivo e muito mais útil que a maioria dos livros populares sobre educação que prometem demais e cumprem pouquíssimo. 

A ideia da Pamela Druckerman tematizando sua própria vida de forma despojada e despretensiosa, acaba sendo uma solução muito mais eficiente na hora de cativar o leitor. Ao invés de apelar para uma autoridade de especialista que não possui, ela prefere falar de suas experiências. 

Nesse ínterim, a habilidade narrativa da escritora é a protagonista aliando realismo e bom-humor.

Obviamente não se pode esperar do livro que seja um guia para a educação dos filhos, se essa é sua ideia pode desistir da aquisição. Entretanto, se o objetivo é conferir uma experiência pessoal lógica que não subestima sua inteligência aí sim a leitura é bem válida.



Recomendo Para Quem:

- Quer conhecer uma experiência humana e bem escrita sobre maternidade
- Está buscando algo mais pessoal e menos especializado
- Busca uma leitura divertida sobre a vida de uma mãe estreante

Editora: Fontanar
Páginas: 272

17 de janeiro de 2013

Assassin's Creed: Renegado (Oliver Bowden) - Primeiras Impressões

Transpor histórias de sucesso para outras mídias é sempre um processo penoso. Os fãs do original serão normalmente os maiores interessados, na mesma medida em que deverão ser os mais exigentes. 

Assim o desafio do autor Oliver Bowden é grande, mas felizmente sua competência narrativa pode ser notada sem dificuldade já no trecho inicial (leia também clicando aqui).

Bowden, como escritor de profissional há anos (mais de 30 livros publicados), tem experiência em confeccionar tramas; qualidade que fica clara no seu estilo que não impressiona, mas que realiza bem o "feijão com arroz". 

Até a opção de usar o diário como forma de narrar favorece essa pretensão de contar bem seguindo moldes pouco criativos. A ideia parece mesmo ser conquistar o leitor pelos acontecimentos e não por uma qualidade literária muito elaborada. 

A iniciativa, pouco pretensiosa, pode soar não tão boa para muitos. Mas diante de várias adaptações que desprezam por completo a qualidade da transposição, o cuidado em colocar a série Assassin's Creed na mão de um escritor cuidadoso já é digno de comemoração.


Recomendo Para Quem

- Fãs da série de Games (principalmente os que já leram as obras anteriores)
- Pessoas que querem histórias recreativas de aventura sem maiores elaborações.

Editora: Galera Record
Páginas: 350



5 de janeiro de 2013

Como Iniciar Uma Conversa e Fazer Amigos (Don Gabor) - Primeiras Impressões

Livros de autoajuda costumam sofrer com certas deficiências constantes, a principal delas certamente é a sua simplificação exagerada do ser humano que, porém, não impede os autores de prometer em excesso.

Como Iniciar Uma Conversa e Fazer Amigos segue com rigor a cartilha das autoajudas simplistas pelo que pudemos conferir no trecho inicial (leia também clicando aqui). A ideia de Don Gabor é usar dicas artificiais generalizadas que na prática variam do óbvio ao estranho.

O indivíduo que o livro quer formar acaba sendo invariavelmente uma pessoa de personalidade específica ou então alguém que finge ser. Curiosamente, a obra acaba  beirando a contradição logo no início mandando o leitor agir de uma forma, mas fazendo questão de ressaltar que deve ser algo espontâneo.

Vários outros problemas advindos do hábito de tratar o ser humano como uma espécie de autômato programável surgem, tornando o livro mais risível que útil. É sempre engraçador ver o autor citando pesquisas anônimas. 

Assim Como Iniciar Uma Conversa e Fazer Amigos pode ser lido a título de curiosidade, mas dificilmente vai ajudar alguém mais do que bom senso e sensibilidade.



Recomendo Para Quem:

- Quer rir um pouco conferindo como algumas pessoas gostam de artificializar relacionamentos.

Informações sobre a obra:

Editora: Sextante
Páginas: 228


20 de dezembro de 2012

Giane: Vida, Arte e Luta (Guilherme Fiuza) - Primeiras Impressões

Eu sempre preferi as biografias que se prendiam ao que ocorreu, evitando ao máximo passar impressões pessoais do escritor a respeito daquele que é tematizado. Mesmo assim, já me deparei com com muitos relatos sobre a vida de terceiros onde a carga dramática do autor tornava a obra melhor.

Infelizmente, não é isso que acontecer ao meu ver no trecho inicial (leia também clicando aqui) do best-seller Giane: Vida, Arte e Luta

Guilherme Fiuza (o autor) opta por fazer um relato simples, mas sempre pontuado com um ou outro elemento descritivo com claro comprometimento meritocrático. A intenção é ressaltar que Gianecchini é uma pessoa especial, digna de admiração em sua trajetória de vida.

Mas todas as inserções do escritor nesta parte inicial parecem desnecessárias. A própria vida do ator deveria (e certamente é) mais que suficiente para justificar a relevância de contar sua trajetória. Mas ele acha por bem fazer julgamentos benéficos para reforçar porque o Reynaldo da Globo é um homem e tanto. 

O problema é que Fiuza não parece ser muito bom em realizar essas reflexões pessoais e o livro só perde com isso. 

Não é que a biografia cause uma impressão muito ruim, na verdade nos momentos em que o autor se detém na história do ator a leitura flui bem. Mas o relato pouco brilhante pontuado com esses elementos emocionais mal-empregados causam uma sensação de que a Giane: Vida, Arte e Luta poderia ser bem melhor. Ao invés disso, a impressão que fica é de uma obra onde a biografia feita às pressas parece relativamente comprometida pelo propósito comercial.


Recomendo Para Quem:

-Quer conhecer mais sobre a vida do ator sem se importar tanto com a qualidade do relato
-Não se incomoda com um ou outro elemento melodramático desnecessário.

Informações sobre a obra:

Editora: Sextante
Páginas: 304

30 de novembro de 2012

Carcereiros (Drauzio Varella) - Primeiras Impressões


Hoje conhecido sobretudo como o "doutor do Fantástico", Drauzio Varella foi muito atuante como médico voluntário, sobretudo em sua pesquisa relacionada ao vírus da AIDS ocorrida no hoje extinto Carandiru.

Com base nessa experiência, Varella escreveu o best-seller Estação Carandiru (posteriormente adaptado para o cinema) narrando os relatos dos prisioneiros antes e durante a estadia na casa de detenção.

Em Carcereiros, ele notadamente replica a fórmula agora se focando nos profissionais que lidam com os criminosos. No trecho inicial só podemos conferir a introdução (leia também clicando aqui) assim sendo a primeira impressão fica restrita ao estilo.

Nesse quesito a obra parece ir em um caminho interessante mantendo tons de seriedade e objetividade louváveis em razão do tema delicado. Por outro lado, também não chega a ser um tratado científico já que a linguagem é  bastante acessível e direta.

Carcereiros é daqueles livros que realmente despertam a curiosidade, sobretudo por ser um aparente veículo de entendimento (ainda que do ponto de vista de terceiros) de uma uma parte da sociedade normalmente esquecida.

Recomendo para quem:

- Gostaria de saber mais sobre o cotidiano de certas prisões brasileiras mas não está disposto a visitá-las.
- Prefere ser apresentado a relatos do que ouvir análises
- Conhece e gosta de Drauzio Varella
- Já leu Estação Carandiru


3 de novembro de 2012

Corações Descontrolados (Ana Beatriz Barbosa Silva) - Primeiras Impressões

Sempre mantive minhas ressalvas com certos conceitos da psicologia. Muitas das problemáticas mentais, expostas por certos especialistas, me parecem apenas traços de uma personalidade ligeiramente diferenciada em relação àquilo que se considera como normalidade. 

Mas, desconsiderando tais conjecturas, é inegável a capacidade de Ana Beatriz Barbosa Silva como divulgadora dos temas deste conhecimento e tal qualidade fica evidente no trecho inicial (leia também clicando aqui) de Corações Descontrolados; seu mais novo livro.

Esta obra irá se focar no transtorno de personalidade Boderline que em linhas muito grosseiras é um tipo de problema psicológico que leva o portador a ter atitudes exacerbadas, intensas e autodestrutivas constantemente e pelas razões mais triviais. 

O fato mais importante para nós aqui, porém, é a habilidade da autora em desenvolver o tema de uma forma muito fácil de ser compreendida, sem no entanto descambar para o simplismo ignorante; uma tarefa bem mais complexa do que pode parecer. 

Assim, Corações Descontrolados não é uma obra que causará qualquer estranheza (ao menos nessa impressão inicial) àqueles que já leram livros anteriores da escritora. É o mesmo estilo competente de explicar conceitos psicológicos ao grande público. 

O destaque negativo vai mesmo para a capa do livro que ao meu ver não expressa quase nada a respeito do conteúdo da obra... Mas isso é o de menos.

Recomendo para quem:

-Quer entender melhor o que é a personalidade boderline
-Deseja conhecer conceitos de psicologia mas não é nenhum especialista
-Quer conhecer alguns meandros da mente humana e teorias que buscam explicá-la

Informações Básicas:

Autora: Ana Beatriz Barbosa Silva
Editora: Fontanar
Páginas: 266


26 de outubro de 2012

Diálogos Impossíveis (Luis Fernando Veríssimo) - Primeiras Impressões

Hoje em dia é reconfortante ver escritores que não subestimam a inteligência do leitor e Luis Fernando Veríssimo é, felizmente, um destes. 

As crônicas do autor são normalmente interessantes apresentando histórias inusitadas repletas de tiradas bem pensadas e criativas. 

São essas características que podem ser lidas no trecho inicial do recém-lançado livro Diálogos Impossíveis (leia também clicando aqui).

O estilo de escrita extremamente simples de Veríssimo então só colabora na criação de tramas acessíveis a quase quaisquer públicos; sem no entanto precisar se rebaixar à imbecilidade como fazem a maior parte das atrações televisivas e muitos livros.

Finalmente, ainda tem aquelas tonalidades reflexivas leves que fomentam o raciocínio sem descambar para o discurso didático ou moralmente tedioso. 

Tudo bem que o trecho do livro é bem curto, mas as três páginas fazem melhor impressão do que muitos capítulos de vários livros de sucesso que povoam as livrarias. O resultado é uma convicção muito forte de que a obra será, no mínimo, legal. 

Recomendo para quem:

-Gosta de narrativas curtas e bem-humoradas
-Quer ler histórias simples e bem boladas
-Está buscando uma leitura recreativa de qualidade

Informações Básicas:
Autor: Luis Fernando Veríssimo
Editora: Objetiva
Páginas: 176


20 de outubro de 2012

The Walking Dead - A Ascensão do Governador - Primeiras Impressões

Alguns já devem saber que gosto muito de The Walking Dead, sendo uma das únicas HQs que eu acompanho religiosamente assim que sai nova edição. Por isso me interesso em conhecer também as adaptações da história.

Uma destas publicações de "universos estendido" que parecia mais promissora era o livro A Ascensão do Governador. A obra publicada no Brasil pela Galera Record é assinada pelo criador da HQ Robert Kirkman (junto com Jay Bonansinga) e conta a saga de um dos personagens mais interessantes da narrativa original.

Curiosamente, não são tais qualidades que ficam evidentes no primeiro capítulo (leia também clicando aqui); na realidade a tônica são as descrições mal-feitas onde todo o drama humano é narrado de forma superficial e boba

A história consegue fazer da apresentação dos primeiros personagens algo chatíssimo, não chegando nem remotamente perto de causar qualquer situação de apreensão, suspense ou ansiedade. Terror então, só se for por conta das analogias pobres e pouco pertinentes.

Para se ter uma ideia, até as onomatopeias, cuja relevância é duvidosa no contexto, são ruins. Onde já se viu um machado cortar a cabeça de um ser humano e o som resultante ser um "PÉIM"? Isso está mais para barulho de mola.

Enfim, com um misto de narração jogada e descrições mal desenvolvidas, o primeiro capítulo de The Walking Dead - A Ascensão do Governador não causa impressões positivas. Só resta mesmo rezar para que a coisa melhore no decorrer do livro.

Recomendo Para Quem:

Acha que zumbis são o bastante para acompanhar uma história, sem precisar de muito mais

Informações Básicas:
Autores: Robert Kirkman e Jay Bonansinga
Editora: Galera Record
Páginas: 364

25 de setembro de 2012

A Dança dos Dragões (George R. R. Martin) - Primeiras Impressões

É sempre interessante notar como os meus amigos olham incrédulos para as mais de 800 páginas de um livro como A Dança dos Dragões; todos eles muito surpresos como o fato de eu estar disposto a encarar um calhamaço quase tão grosso quanto uma Bíblia.

Evidentemente, eles não conhecem a habilidade de George R. R. Martin em confeccionar histórias interessantíssimas repletas de detalhes e personagens cativantes.

Por enquanto (já passei as 150 páginas lidas) A Dança dos Dragões não decepciona retomando com a habilidade de sempre as narrativas a respeito dos personagens não apresentados em O Festim dos Corvos

O ritmo inicial é realmente mais lento não contendo grandes acontecimentos arrebatadores, entretanto isso é muito natural diante da "melancolia pós-guerra" que a obra se preocupa em retratar. 

Como todos já esperavam, George R. R. Martin (felizmente) continua mantendo a qualidade da sua realista obra-prima com toques de fantasia.

Recomendo para:

- Apreciadores de boa literatura dispostos a ler muito

22 de setembro de 2012

Mente, Linguagem e Sociedade (John R. Searle) - Primeiras Impressões

Filosofia costuma afugentar muitos não-iniciados, uma vez que seus temas realmente não são tão banais. A abordagem acadêmica restritiva dos autores, por sua vez, só contribui para esse quadro de distanciamento com o público em geral.

Mente, Linguagem e Sociedade surpreende justamente por conseguir aliar uma discussão séria (acerca dos assuntos já claramente mencionados no título) com um estilo extremamente simples que pode ser compreendido mesmo por aqueles não habituados ao assunto.

Evidente que uma atenção cuidadosa é necessária para o entendimento apropriado acerca dos temas abordados na obra, mas nada que exija grande esforço.

O principal obstáculo para o leitor (e talvez o único) realmente é a natureza do assunto que pode não ser do interesse de muitos. Afinal, a discussão sistemática de Searle sobre questões relacionadas a mente tem caráter sistemático e teorético, ou seja, a pretensão é ser explicativo não tendo (obviamente) maiores pretensões de entretenimento.

Em suma, o livro é muito relevante para os estudantes de filosofia ao mesmo tempo que pode conquistar os leigos pelo seu estilo didático.

Recomendo para:

- Interessados em filosofia
- Pessoas que gostariam de saber mais sobre os temas abordados
- Apreciadores de boas leituras (de forma geral) em ciências

14 de setembro de 2012

Os Segredos dos Casais Inteligentes (Gustavo Cerbasi) - Primeiras Impressões

Tenho sérias ressalvas quando o assunto são livros de autoajuda por diversos problemas que estas publicações costumam apresentar. Os Segredos dos Casais Inteligentes tem alguns destes elementos como o péssimo título que descreve o leitor como alguém não-inteligente (afinal não sabe os segredos). 

Além disso, no trecho inicial (clique aqui para ler também), o autor já começa com uma teoria praticamente intragável quando iguala enriquecimento e arte; só uma das características que evidencia como Cerbasi busca ignorar problemas intrínsecos ao sistema.

Entretanto, desconsiderando este comprometimento ideológico não raro em profissionais da área, o livro até que se destaca mostrando dicas úteis (apesar de simples) expostas por um profissional experiente.

O estilo de Cerbasi também contribui sendo claro e objetivo: duas características essenciais numa obra que se propõe a ser um guia prático para o cotidiano. 

Assim, O Segredo dos Casais Inteligentes não fará com que você e seu cônjuge  fiquem mais inteligentes coletivamente (óbvio), mas tem a capacidade de fornecer dicas que podem realmente ajudar na administração de suas finanças, sobretudo se você estiver ao menos na classe média.

Recomendo para quem:

-Gosta de autoajuda
-Sabe que não ganha tão mal, mas é ruim na hora de gerenciar orçamento
-Quer receber dicas de um consultor financeiro de forma mais genérica, entretanto mais barata.

7 de setembro de 2012

Toda Sua (Sylvia Day) - Primeiras Impressões

O interesse por livros eróticos simplistas parece estar crescendo, sobretudo considerando-se o fenômeno de vendas Cinquenta Tons de Cinza.

Seguindo este mesmo "subgênero" temos Toda Sua que já
deixa claro no primeiro capítulo (confira também clicando aqui) a sua intenção: misturar altas doses de uma protagonista estupefata diante de homens "fulminantemente atraentes" com um estilo de escrever somente descritivo e sem qualquer identidade própria. 

A sensação que tive foi estar lendo um livro da clássica série Julia (voltada para mulheres adolescentes). Resolvi então procurar, só por desencargo de consciência, se a autora já tinha algum livro publicado pela coleção... E não é que tinha mesmo, olha a capa aqui.

Assim, Toda Sua é bem aquilo que se espera, ou seja, um livro genérico sem muita identidade cujo grande chamariz é o romance entre um homem idealizado e uma mulher embasbacada; mas sem deixar de ser atraente. 

Seria interessante que ao menos houvesse algo para particularizar a obra, mas a única e mínima peculiaridade que pude perceber neste primeiro capítulo foi o apelo sexual aparecendo sem muitas preliminares (com o perdão do trocadilho).

Recomendo para Quem:

-É mulher
-Gosta da série Julia
-Não se importa com cuidado no estilo
-Quer ler algo que não exija maiores reflexões

31 de agosto de 2012

O Casamento (Nicholas Sparks) - Primeiras Impressões

Quem já leu algum livro de Nicholas Sparks sabe bem como é o estilo do autor misturando simplicidade (que beira a superficialidade) com fortes teores de um drama constante e muito sentimental (muitas vezes chegando ao dramalhão). 

Em O Casamento, a lógica parece ser a mesma considerando o primeiro capítulo da obra (leia também clicando aqui). O escritor já usa e abusa de seu narrador sentimental que neste caso é um homem preocupado com os rumos do seu casamento.

Como sempre, o amor é o tema primordial descrito daquele jeito de narrar tão dramático que mais parece uma novela. Não é que seja ruim, mas certamente tem a capacidade de afastar aqueles que não são muito chegados a um melodrama.

Aparentemente, este é mais um livro que segue o padrão "Nicholas Sparks" rigorosamente e portanto deve agradar aos fãs do autor sem qualquer problema. É verdade que a trama centrada num casal já próximo à terceira idade pode não ser de interesse de muitos jovens que talvez não se identifiquem, mas o modo de escrita é o de sempre.

Assim, ao que tudo indica, O Casamento é velho Sparks de sempre. Em outras palavras, quem gosta deve adorar e os demais certamente continuarão não suportando. 

Recomendo Para Quem:

- Gosta do estilo do autor
- É chegado num drama forte
- Quer uma leitura simples e não impactante ou agressiva