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22 de setembro de 2012

Mente, Linguagem e Sociedade (John R. Searle) - Primeiras Impressões

Filosofia costuma afugentar muitos não-iniciados, uma vez que seus temas realmente não são tão banais. A abordagem acadêmica restritiva dos autores, por sua vez, só contribui para esse quadro de distanciamento com o público em geral.

Mente, Linguagem e Sociedade surpreende justamente por conseguir aliar uma discussão séria (acerca dos assuntos já claramente mencionados no título) com um estilo extremamente simples que pode ser compreendido mesmo por aqueles não habituados ao assunto.

Evidente que uma atenção cuidadosa é necessária para o entendimento apropriado acerca dos temas abordados na obra, mas nada que exija grande esforço.

O principal obstáculo para o leitor (e talvez o único) realmente é a natureza do assunto que pode não ser do interesse de muitos. Afinal, a discussão sistemática de Searle sobre questões relacionadas a mente tem caráter sistemático e teorético, ou seja, a pretensão é ser explicativo não tendo (obviamente) maiores pretensões de entretenimento.

Em suma, o livro é muito relevante para os estudantes de filosofia ao mesmo tempo que pode conquistar os leigos pelo seu estilo didático.

Recomendo para:

- Interessados em filosofia
- Pessoas que gostariam de saber mais sobre os temas abordados
- Apreciadores de boas leituras (de forma geral) em ciências

14 de setembro de 2012

Os Segredos dos Casais Inteligentes (Gustavo Cerbasi) - Primeiras Impressões

Tenho sérias ressalvas quando o assunto são livros de autoajuda por diversos problemas que estas publicações costumam apresentar. Os Segredos dos Casais Inteligentes tem alguns destes elementos como o péssimo título que descreve o leitor como alguém não-inteligente (afinal não sabe os segredos). 

Além disso, no trecho inicial (clique aqui para ler também), o autor já começa com uma teoria praticamente intragável quando iguala enriquecimento e arte; só uma das características que evidencia como Cerbasi busca ignorar problemas intrínsecos ao sistema.

Entretanto, desconsiderando este comprometimento ideológico não raro em profissionais da área, o livro até que se destaca mostrando dicas úteis (apesar de simples) expostas por um profissional experiente.

O estilo de Cerbasi também contribui sendo claro e objetivo: duas características essenciais numa obra que se propõe a ser um guia prático para o cotidiano. 

Assim, O Segredo dos Casais Inteligentes não fará com que você e seu cônjuge  fiquem mais inteligentes coletivamente (óbvio), mas tem a capacidade de fornecer dicas que podem realmente ajudar na administração de suas finanças, sobretudo se você estiver ao menos na classe média.

Recomendo para quem:

-Gosta de autoajuda
-Sabe que não ganha tão mal, mas é ruim na hora de gerenciar orçamento
-Quer receber dicas de um consultor financeiro de forma mais genérica, entretanto mais barata.

7 de setembro de 2012

Toda Sua (Sylvia Day) - Primeiras Impressões

O interesse por livros eróticos simplistas parece estar crescendo, sobretudo considerando-se o fenômeno de vendas Cinquenta Tons de Cinza.

Seguindo este mesmo "subgênero" temos Toda Sua que já
deixa claro no primeiro capítulo (confira também clicando aqui) a sua intenção: misturar altas doses de uma protagonista estupefata diante de homens "fulminantemente atraentes" com um estilo de escrever somente descritivo e sem qualquer identidade própria. 

A sensação que tive foi estar lendo um livro da clássica série Julia (voltada para mulheres adolescentes). Resolvi então procurar, só por desencargo de consciência, se a autora já tinha algum livro publicado pela coleção... E não é que tinha mesmo, olha a capa aqui.

Assim, Toda Sua é bem aquilo que se espera, ou seja, um livro genérico sem muita identidade cujo grande chamariz é o romance entre um homem idealizado e uma mulher embasbacada; mas sem deixar de ser atraente. 

Seria interessante que ao menos houvesse algo para particularizar a obra, mas a única e mínima peculiaridade que pude perceber neste primeiro capítulo foi o apelo sexual aparecendo sem muitas preliminares (com o perdão do trocadilho).

Recomendo para Quem:

-É mulher
-Gosta da série Julia
-Não se importa com cuidado no estilo
-Quer ler algo que não exija maiores reflexões

31 de agosto de 2012

O Casamento (Nicholas Sparks) - Primeiras Impressões

Quem já leu algum livro de Nicholas Sparks sabe bem como é o estilo do autor misturando simplicidade (que beira a superficialidade) com fortes teores de um drama constante e muito sentimental (muitas vezes chegando ao dramalhão). 

Em O Casamento, a lógica parece ser a mesma considerando o primeiro capítulo da obra (leia também clicando aqui). O escritor já usa e abusa de seu narrador sentimental que neste caso é um homem preocupado com os rumos do seu casamento.

Como sempre, o amor é o tema primordial descrito daquele jeito de narrar tão dramático que mais parece uma novela. Não é que seja ruim, mas certamente tem a capacidade de afastar aqueles que não são muito chegados a um melodrama.

Aparentemente, este é mais um livro que segue o padrão "Nicholas Sparks" rigorosamente e portanto deve agradar aos fãs do autor sem qualquer problema. É verdade que a trama centrada num casal já próximo à terceira idade pode não ser de interesse de muitos jovens que talvez não se identifiquem, mas o modo de escrita é o de sempre.

Assim, ao que tudo indica, O Casamento é velho Sparks de sempre. Em outras palavras, quem gosta deve adorar e os demais certamente continuarão não suportando. 

Recomendo Para Quem:

- Gosta do estilo do autor
- É chegado num drama forte
- Quer uma leitura simples e não impactante ou agressiva

17 de agosto de 2012

Amy, Minha Filha (Mitch Winehouse) - Primeiras Impressões

Quando busco uma biografia escrita por parente da personalidade, sempre tenho a expectativa de que ela será emotiva e intimista de alguma forma. Entretanto, a impressão que tive lendo trecho de Amy, Minha Filha foi quase oposta (clique aqui para ler também).

O capítulo divulgado pela editora Record traz um estilo surpreendentemente detalhado onde o autor/pai bombardeia o leitor com várias descrições transmitidas de forma rápida e concisa. 

O narrador parece ser alguém próximo "fisicamente" a ponto de falar detalhes que qualquer outra pessoa desconheceria, mas, em compensação, passa a impressão de ser distante emocionalmente pois as sensações e sentimentos de Amy ficam praticamente ausentes na parte que li.

De forma geral, o texto é bem estruturado, mas também causa um certo incômodo quando fala coisas demais em um espaço muito curto, como se tivesse sido escrito com alguma pressa. Assim, o leitor sente que poderia haver ali um trabalho mais cuidadoso em esmiuçar determinados fatos. 

No mais, o trecho em questão se destaca justamente pela variedade extensa de informações que permite inegável aproximação no "quem foi" Amy Winehouse; objetivo das biografias de forma geral e, por tabela, da maior dos fãs que venham a adquirir.

Recomendo Para Quem:

-Quer saber mais sobre Amy Winehouse (não diga)
-Quer conhecer mais fatos objetivos e menos impressões sentimentais
-Quer ler como a grande cantora é descrita pelo pai

10 de agosto de 2012

Cinquenta Tons de Cinza (E. L. James) - Primeiras Impressões


Um dos maiores fenômenos editoriais dos últimos tempos nos EUA, a trilogia Cinquenta Tons de Cinza finalmente chegou ao Brasil pela Intrínseca e deve ser um grande sucesso sem maiores dificuldades com seu estilo juvenil de escrever falando sobre temas extremamente eróticos; na realidade pornográficos mesmo.

Com todo esse sucesso, fiquei curioso para ler um trecho do livro (clique aqui para conferir também) e sinceramente não me empolguei.

Tudo bem que o capítulo em questão não chega ao foco do livro que são as descrições de cenas sexuais, entretanto o estilo de escrita extremamente despido de profundidade me incomodou consideravelmente. 

E. L. James se apropria de uma narrativa em primeira pessoa para contar a história que soa tal qual estivesse explicando o caminho para a padaria. Já quando ela tenta imprimir um termo pouco mais expressivo, ele parece mal-empregado. 

A descrição dos personagens também acompanha a mesmíssima superficialidade e pobreza narrativa. Sabe quando os personagens fazem aquela entrada que já convence o leitor de que são seres humanos reais?  É justamente isso que não ocorre em Cinquenta Tons de Cinza.

Agora a obra também não é esdrúxula, só não tem uma grande qualidade que a personalize neste primeiro momento de leitura.

Além do mais, a parte que mais interessa (o relacionamento sexual) eu não cheguei a ler realmente. Entretanto, se seguir o mesmo padrão do trecho lido pelo fenômeno da Web Marcelinho (aquele fantoche que lê contos eróticos), a coisa não melhora. Veja você mesmo o vídeo (para maiores) abaixo.



Recomendo para quem:

- Quer uma leitura com forte apelo erótico e simples; nada mais
- Não se incomoda muito com o estilo de escrita empregado

4 de agosto de 2012

Branca dos Mortos e Os 7 Zumbis (Abu Fobiya) - Primeiras Impressões


Acompanho regularmente o site Jovem Nerd e por isso conheço o trabalho que fizeram transformando o o estreante Eduardo Spohr em um fenômeno da literatura nacional através do épico fantástico A Batalha do Apocalipse; depois publicado em maior escala pela editora Verus.

Desta vez, o site lança livro de um autor experiente, mas em um novo gênero. O escritor em questão é o conhecido Fábio Yabu (criador da franquia infantil As Princesas do Mar); este encarna o heterônimo Abu Fobiya para narrar os contos de fadas em versão macabra que constituem Branca dos Mortos e Os Sete Zumbis.

No conto divulgado gratuitamente (leia clicando aqui) vemos que Fobiya tem um bom domínio de escrita conduzindo a história de forma bastante razoável. Entretanto, a trama é toda condicionada pelo fecho e antes deste ocorrer o desenvolvimento não funciona assim tão bem por si mesmo.

Já o mencionado fim - que não vou dizer qual é por motivos óbvios - é legal mas não muito impactante ou "bem sacado" na minha humilde opinião

O que se pode concluir, porém, é que Yabu/Fobiya tem o domínio estilístico suficiente para contar boas histórias de horror e elas devem existir com certeza. Infelizmente o conto aperitivo A Confissão não é lá dos melhores para causar impressões muito positivas.

Recomendo para quem:

_Confia no bom trabalho da equipe Jovem Nerd
_Sempre quis ler contos de fadas com um tom mórbido / inusitado
_Gosta de leituras rápidas e recreativas que não ignoram uma "pegada" mais macabra


23 de julho de 2012

O Homem que Sabia Javanês (Lima Barreto) - Leitura Online e Download

imagem meramente ilustrativa

Informações

Título: O Homem que Sabia Javanês
Autor: Lima Barreto
Primeiro Lançamento: 1911
País: Brasil

Sinopse
O homem que sabia javanês é um conto do escritor brasileiro de Lima Barreto que narra a história de Castelo, um malandro que, no começo do século XX, finge saber o javanêspara conseguir um emprego e afinal fica famoso como um dos únicos tradutores desse idioma. O conto foi publicado pela primeira vez no jornal Gazeta da Tarde do Rio de Janeiro, em 28 de abril de 1911, e posteriormente incluído na coletânea O homem que sabia javanês e outros contos.

Leia o livro online abaixo:

24 de maio de 2012

"Ruas Estranhas" e Demais Lançamentos da Casa da Palavra Para Maio

Mensalmente, a editora Casa da Palavra divulga as informações de seus lançamentos para o mês. E não foi diferente em maio com 5 livros publicados. 


O destaque fica por conta da coletânea Ruas Estranhas - saindo pelo selo Fantasy em parceria com a Leya - que traz 16 contos de fantasia e mistério de grandes escritores selecionados por George R. R. Martin; autor de As Crônicas de Gelo e Fogo. Conheça maiores detalhes sobre este livro clicando aqui.

Veja abaixo a lista completa dos lançamentos que conta com obras de vários gêneros (a maioria de não ficção).


25 de dezembro de 2011

Compras de Natal - Cecilia Meireles



Texto extraído do livro "Quatro Vozes", Editora Record - Rio de Janeiro, 1998, pág. 80. publicado no site: releituras.com


A cidade deseja ser diferente, escapar às suas fatalidades. Enche-se de brilhos e cores; sinos que não tocam, balões que não sobem, anjos e santos que não se movem, estrelas que jamais estiveram no céu.
As lojas querem ser diferentes, fugir à realidade do ano inteiro: enfeitam-se com fitas e flores, neve de algodão de vidro, fios de ouro e prata, cetins, luzes, todas as coisas que possam representar beleza e excelência.

Tudo isso para celebrar um Meninozinho envolto em pobres panos, deitado numas palhas, há cerca de dois mil anos, num abrigo de animais, em Belém.

Todos vamos comprar presentes para os amigos e parentes, grandes e pequenos, e gastaremos, nessa dedicação sublime, até o último centavo, o que hoje em dia quer dizer a última nota de cem cruzeiros, pois, na loucura do regozijo unânime, nem um prendedor de roupa na corda pode custar menos do que isso.

Grandes e pequenos, parentes e amigos são todos de gosto bizarro e extremamente suscetíveis. Também eles conhecem todas as lojas e seus preços — e, nestes dias, a arte de comprar se reveste de exigências particularmente difíceis. Não poderemos adquirir a primeira coisa que se ofereça à nossa vista: seria uma vulgaridade. Teremos de descobrir o imprevisto, o incognoscível, o transcendente. Não devemos também oferecer nada de essencialmente necessário ou útil, pois a graça destes presentes parece consistir na sua desnecessidade e inutilidade. Ninguém oferecerá, por exemplo, um quilo (ou mesmo um saco) de arroz ou feijão para a insidiosa fome que se alastra por estes nossos campos de batalha; ninguém ousará comprar uma boa caixa de sabonetes desodorantes para o suor da testa com que — especialmente neste verão — teremos de conquistar o pão de cada dia. Não: presente é presente, isto é, um objeto extremamente raro e caro, que não sirva a bem dizer para coisa alguma.

Por isso é que os lojistas, num louvável esforço de imaginação, organizam suas sugestões para os compradores, valendo-se de recursos que são a própria imagem da ilusão. Numa grande caixa de plástico transparente (que não serve para nada), repleta de fitas de papel celofane (que para nada servem), coloca-se um sabonete em forma de flor (que nem se possa guardar como flor nem usar como sabonete), e cobra-se pelo adorável conjunto o preço de uma cesta de rosas. Todos ficamos extremamente felizes!

São as cestinhas forradas de seda, as caixas transparentes os estojos, os papéis de embrulho com desenhos inesperados, os barbantes, atilhos, fitas, o que na verdade oferecemos aos parentes e amigos. Pagamos por essa graça delicada da ilusão. E logo tudo se esvai, por entre sorrisos e alegrias. Durável — apenas o Meninozinho nas suas palhas, a olhar para este mundo.

21 de dezembro de 2011

Missa do Galo (Machado de Assis) - Leitura Online e Download

imagem meramente ilustrativa

Informações:

Título: Missa do Galo (conto)
Autor: Machado de Assis
Primeira Publicação: 1899 (no livro Páginas Recolhidas)
País: Brasil

Sinopse
O conto Missa do Galo, narrado em 1º pessoa pelo jovem Nogueira, um rapaz de dezessete anos que veio ao Rio de Janeiro para estudar. Hospeda-se na casa do escrivão Meneses, às vezes chamado de Chiquinho, viúvo de uma prima sua, que agora é casado com Conceição, uma mulher de temperamento moderado, sem extremos, nem grandes lágrimas, nem grandes risos. Meneses mantém um relacionamento extraconjugal e, uma vez por semana, sob o pretexto de ir ao teatro, vai se encontrar com sua amante. Conceição tem conhecimento deste relacionamento e mostra-se submissa. O conto se desenvolve na véspera de Natal, numa dessas noites em que o escrivão sai de casa e Nogueira fica na sala de estar aguardando seus colegas para irem à Missa do Galo. Enquanto espera e os outros dormem, Conceição vai ao seu encontro na sala da casa, onde conversam assuntos variados e não vêem o tempo passar. Até que um de seus colegas bate à porta chamando-o para a Missa do Galo. / Fonte: Wikipédia

Leia o Conto Online Abaixo:



17 de julho de 2011

Editora Intrínseca Divulga O Conto "Chama Eterna" da Série "Os Imortais" de Alyson Noël


A editora Intrínseca divulgou recentemente um conto escrito pela autora estadunidense Alyson Noël onde ela conta uma história de Damen, um dos principais personagens da saga Os Imortais.

O conto, intitulado como "Chama Eterna", pode ser acessado através deste link aqui, e pode ser lido em bem pouco tempo já que possui apenas 8 páginas de história propriamente dita.

Leia sinopses da série Os Imortais