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24 de agosto de 2012

Os Vingadores (2012) - Crítica de Adaptações


Conheci Joss Whedon anos atrás quando ele foi responsável por assinar uma série de histórias dos X-Men. A elogiada HQ realmente era muito boa, justamente por resgatar o tipo de narrativa simples com temática de grupo que fez da equipe o sucesso mundial que veio a se tornar. 

O autor levou essa mesma experiência de conhecedor do gênero (nerd nos moldes clássicos) para confeccionar um filme que acerta justamente por parecer uma daquelas ingênuas e divertidíssimas tramas clássicas dos quadrinhos de super-herói.
Joss Whedon

Desde que surgiram em 1967 (como imitação de A Liga da Justiça), Os Vingadores tem como grande atrativo a interação dos personagens famosos num único local onde expõe suas diferenças ao mesmo que se unem em prol de um inimigo maior e mais poderoso. Como sugere a própria proposta da equipe, eles estão unidos para enfrentar os vilões que um herói sozinho não poderia vencer.

Whedon então abusa de sua experiência para usufruir destas interações de personagens (muito divertidas) com simplicidade, sem, no entanto, tratar o espectador como imbecil. 

O roteiro é cuidadoso o suficiente para não deixar nenhum dos integrantes completamente esquecido. Cada um desempenha uma determinada função específica na narrativa com a intenção de torná-lo necessário para a história.

Capitão América aparece como o líder de operações da equipe e simboliza o idealismo. O Hulk é o homem mais forte do mundo que é simplesmente invencível. Thor se faz importante porque seu irmão Loki é o grande vilão. Gavião Arqueio é arma secreta do vilão que posteriormente quer vingança. Por fim a Viúva Negra media várias situações entre personagens. 

Vingadores 1 (1967)
Isso sem contar os principais membros da S.H.I.E.L.D (não pertencentes aos Vingadores) que representam um papel individualizante, nem que seja um pouco. 

E o Homem de Ferro? Bom, nem precisa dizer nada do protagonista do filme que sempre está nas cenas mais importantes esbanjando seu carisma em diversos comentários e gracejos.

Aliás, Tony Stark é o exemplo de como Whedon acerta também do ponto de vista mercadológico quando eleva o herói mais querido do público ao status de principal agradando todas as pessoas que jamais leram um quadrinho de super-herói na vida sem, no entanto, causar maiores desconfortos nos grandes fãs. Óbvio que alguns mais radicais podem achar ruim, mas dificilmente o sucesso de bilheteria (terceira maior da história) seria o mesmo se estes ficassem contentes. 

Todos esses detalhes são coroados por excelentes cenas de ação e tomadas humorísticas repletas com vários clichês "quadrinísticos" divertidíssimos. Grande destaque para a sequência onde os heróis se unem em círculo ao som da ótima e épica trilha-sonora de Alan Silvestri. Esta cena empolga os espectadores em vários níveis. Desde aquele que só viu este filme, passando por aquele que acompanhou a construção dos personagens nos filmes individuais chegando até no conhecedor dos super-heróis que vê aquele grupo que tanto acompanhou nas HQs se unindo, só que agora como seres humanos reais (emocionante).


Admito que um probleminha ou outro pode ser constatado, mas são insuficiências advindas da proposta. Desta forma surgem alguns exageros e superficialidades típicas dos quadrinhos e outras escorregadelas advindas das concessões feitas para agradar o grande público. 

Mesmo assim, Os Vingadores continua sendo muito bom, pois tem como grande qualidade ser um filme de super-herói legítimo que só aprendeu a se adaptar aos nossos tempos; mostrando, como faziam os quadrinhos clássicos, que este é um gênero voltado para o público infantil ao não se levar tão a sério, mas que tem todo potencial de divertir adultos.



4 de 5 (Muito Bom)



28 de julho de 2012

Lanterna Verde (Filme / 2011) - Crítica de Adaptações


Como muitos, nunca fui exatamente um grande admirador do Lanterna Verde enquanto personagem, sobretudo por não acompanhar suas histórias regularmente. Entretanto, conheço o herói suficientemente para saber que o filme não mostrou o que ele tem de melhor.

Como aqueles que entendem de quadrinhos de super-heróis já sabem, a alcunha Lanterna Verde é compartilhada por centenas de seres e vários deles humanos. Porém, o mais célebre a ostentar o anel esmeralda foi sem dúvida o piloto de testes Hal Jordan e por essa razão ele merecidamente foi o escolhido para o cinema.

Entretanto, o personagem interpretado por Ryan Reynolds pouco faz lembrar o original. Enquanto o Jordan dos quadrinhos é conhecido pela seriedade e pelo comprometimento, a sua versão cinematográfica segue aquele velho esteriótipo do "irresponsável-descolado-conquistador".

Mas o problema nem é tanto a personalidade divergente, pois existem versões mais juvenis de Hal e em última instância esta poderia ser uma possível fase ainda imatura do grande herói que surgiria com o tempo. 

O grande incômodo é o desenvolvimento pífio que não passa qualquer sensação de realismo. O audaz piloto de testes do cinema não tem um pano de fundo construído a contento e quando ele se torna o Lanterna Verde é só o garotão irresponsável que perdeu o pai ganhando poderes.

Envolvimento com o herói e com qualquer outros personagens então é muito difícil (quase impossível). Se até o protagonista é tratado com total superficialidade, o seu interesse amoroso e o "amigo nerd" ficam ainda mais apagados (ou nunca chegaram a ficar "acesos").

Grande parte dessa deficiência vem das poucas, e sofríveis, cenas dramáticas canastronas que toda vez que aparecem jogam um melodrama exacerbado e tonto, resultado: não convencem e não parecem pertencer ao desenvolvimento lógico da história.

O mais surpreendente, porém, é que até as tomadas de ação também não são lá essas coisas! Se existe algo que dificilmente se erra em filmes de super-heróis são os trechos de batalhas, mas em Lanterna Verde eles não são nada criativos ou soam como muito absurdos.

Em algum dos confrontos eu fiquei em dúvida se a ideia era ser empolgante ou cômico. Tudo bem que a ideia é correlacionar a imaginação de Jordan com os poderes mas eu tenho certeza de que qualquer pessoa teria imaginado algo melhor do que amarrar dois jatos nas próprias costas (!).

Aliás, os poderes ilimitados do herói abririam um espaço gigantesco para a inventividade que simplesmente não é usada;  mesmo com a grandiosidade que só o cinema pode proporcionar.

Para não parecer que Lanterna Verde só tem defeitos, ele tem sim bons efeitos especiais (exceto aquela máscara tosca) e em nenhum momento (ou quase nenhum) chega a ser uma "bomba" ao pior estilo Batman de Tim Burton.

Entretanto, o filme não adapta bem o personagem para o cinemas em sua superficialidade e situações genéricas. No final das contas, nada funciona muito bem e o resultado é algo que nem pode ser considerado um filme realmente bom; menos ainda uma adaptação digna aos olhos dos admiradores do heroísmo esmeralda.


2 de 5 (Regular / Fraco)







20 de julho de 2012

O Iluminado (1980) - Críticas de Adaptações


Sinopse
Durante o inverno, um homem (Jack Nicholson) contratado para ficar como vigia em um hotel no Colorado e vai para lá com a mulher (Shelley Duvall) e seu filho (Danny Lloyd). Porém, o contínuo isolamento começa a lhe causar problemas mentais sérios e ele vai se tornado cada vez mais agressivo e perigoso, ao mesmo tempo que seu filho passa a ter visões de acontecimentos ocorridos no passado, que também foram causados pelo isolamento excessivo.

Comparar originais e adaptações é complicado. Sempre fica difícil conseguir fazer uma obra inspirada em outra mantendo qualidade, afinal ela foi pensada e formulada para determinado veículo e qualquer transposição representará diferenças e muito possíveis perdas.

Em O Iluminado de Stanley Kubrick ficam claras estas discrepâncias em relação ao livro homônimo de Stephen King; este mais detalhado e que passa nuances bem maiores sobre o drama e a relação familiar dos personagens. 

Nunca fui crítico de cinema, mas é possível perceber a preocupação do consagrado diretor em criar a atmosfera do Hotel Overlook através de tomadas que valorizam as dimensões do local no comparativo com a perspectiva dos protagonistas; sobretudo da iluminada criança linda (como minha mãe fez questão de repetir diversas vezes) Danny.

Fica claro nos exemplos que os focos de filme e livro são diferentes, cada um optando por valorizar uma forma de contemplar a história sobre a criança especial que visita o hotel assombrado por forças misteriosas malévolas. 

Surpreendentemente, porém, o filme consegue fazer jus a proposta do livro de maneira geral sendo até superior em criar a sensação de imersão no clima que mistura suspense, loucura e um toque de paranoia. 

Enquanto King tem boas ideias na obra literária O Iluminado mas (na minha opinião) não consegue ser bem-sucedido nas suas descrições sem profundidade; Kubrick opta por desconsiderar alguns fatores, entretanto se sai melhor na hora de aclimatar o espectador. Para tanto, um dos principais trunfos do diretor é a atuação extremamente crível dos protagonistas nos papéis de louco (Jack Nicholson), desesperada (Shelley Duvall) e criança estranha/iluminada  (Danny Lloyd). 

Porém, não posso avaliar a adaptação do livro como muito boa, pois a produção cinematográfica peca na hora de denotar a força do hotel sobre os residentes. O protagonista Jack Torrance - que no livro é completamente levado a se descontrolar pelo ambiente opressor do local - parece sempre um maníaco em potencial no filme que só precisava de um pequeno gatilho para ficar insano.

Assim, posso dizer que O Iluminado é uma versão bastante honesta do original literário sabendo passar a tensão que o livro deseja transmitir até com melhor desenvoltura. Porém, alguns problemas incomodam um pouco como o papel menos expressivo de Danny e o já citado Jack que beira a loucura desde sempre.

De toda forma, quem aprecia o livro, deve se contentar com a elogiada produção de Kubrick que sabe criar ambientes de opressão psicológica como poucas. 


3 de 5 (Bom)



29 de janeiro de 2012

Harry Potter e As Relíquias da Morte: Parte 2 - Crítica


Nunca é tarefa simples adaptar um livro para os cinemas com competência. A saga Harry Potter como um todo demonstrou isso acertando e errando ao longo dos filmes que se não foram brilhantes conseguiram ao menos representar bem os principais personagens e divertir os espectadores.

Entretanto, em Harry Potter e As Relíquias da Morte - Parte 1 minha impressão foi mais positiva do que de costume. Como o último livro foi dividido em 2 filmes sobrou tempo e com isso calhou a oportunidade para usar da exploração mais aprofundada dos dramas e relações complexas entre os personagens; coisa pouco vista nas produções anteriores caracterizadas pelo ritmo acelerado dos fatos que se sucediam com pressa.

Porém, este primeiro filme foi tão mais lento que restou muita coisa para contar na parte 2; esta que acabou assim se diluindo numa ação ininterrupta de acontecimentos e resoluções numa correria muito incômoda que só conseguia explicar sem convencer.

Mesmo as qualidades vistas nas primeiras adaptações, como o desenvolvimento dos três protagonistas, acabou deixada de lado. Hermione, por exemplo, esteve em uma de suas piores apresentações, quase sempre surgindo para reafirmar a paixão que tinha por Rony. A intenção era clara; tentar dar um arcabouço para a relação romântica pouco (ou nada) explorada nas produções anteriores. Mas colocar tal elemento em algo que já estava superlotado corria o risco de soar forçado e apressado e foi justamente o que aconteceu.

O pior é que esta intenção de reforçar o romance dos dois acabou por resumi-los a isso. Chegando ao ponto de existirem cenas onde Hermione age no melhor estilo "namorada orgulhosa" da coragem do seu parceiro; o que nada tem a ver com sua personalidade.

Harry não tem muitos problemas; se mostra herói. Mas os confrontos finais não causam nenhum impacto especial ou tão grandioso como se espera. Além disso, ele não foge da superficialidade que atinge todos os elementos dramáticos do filme que apenas é ação sem profundidade, onde várias mortes importantes acontecem e são pouco ou nada sentidas.

Dentro do contexto de fim de saga a decepção é menor, mas ainda acontece pois o filme é de fato muito aquém daquilo que se espera de um final.

A obra, claro, ainda é divertida, tem bons efeitos especiais e é um fim que como tal sempre emociona os fãs. Para quem já viu todas as anteriores (meu caso) há um incômodo com a qualidade muito baixa, mas não tem como deixar de assistir. Agora para os que nunca viram nenhuma das produções anteriores não faz qualquer sentido conferir esta.

Ah, cabe sempre uma menção honrosa ao "envelhecimento" de 19 anos completamente risível dos protagonistas. Só Harry parece que envelheceu no máximo uns 5 anos garças ao bigode ralo e barba "por fazer" porque os outros dois ficaram praticamente idênticos.



2 de 5 (Regular/Fraco)


15 de julho de 2011

Harry Potter (Filmes) - Crítica [Especial Relíquias da Morte Parte 2]


Adaptar um livro já é sempre uma tarefa penosa e um best-seller conhecido por milhões de crianças, e nem tão crianças, por todo o mundo é ainda mais complicado e a responsabilidade então é gigantesca. 

Foi nesse contexto que o fenômeno Harry Potter chegou aos cinemas, com vários fãs empolgados mas desconfiados se o livro que eles tanto gostavam seria bem transposto para as telas, felizmente não houve motivo para grandes decepções. A obra cinematográfica teve a supervisão cuidadosa da autora do livro, J. K. Rowling, que cuidou de sua criação e não simplesmente a vendeu para as produtoras, mercenárias por natureza.

9 de julho de 2011

The Walking Dead (Série de TV) - Crítica


"The Walking Dead" é uma hq que consegue inovar mesmo falando do tema menos criativo da atualidade, superando até mesmo os vampiros, que é o apocalipse Zumbi. Com uma história realista, violenta e surpreendente Robert Kirkman fez de sua criação um objeto cultuado dentro do normalmente pouco produtivo ambiente das hqs atuais.

8 de maio de 2011

Alice no País das Maravilhas (Filme - 2010) - Crítica / Adaptações


Adaptações de livros para o cinema dificilmente são tão boas quanto os originais literários, só que Tim Burton exagera ao extrair o mais importante de "Alice no País das Maravilhas" em seu filme homônimo lançado em 2010 e que por sinal colheu uma bela bilheteria.